15/05/17 – Paris – Étampes

O Strava marca 67.6km mas nas voltinhas em Paris foram uns 20 (e só liguei o Strava no Coulée Vert, depois de Montparnasse).

O odómetro total já marca 106.88 km, mas sei que ja tinha feito mais alguns de e para o estádio.

Hoje quando acordei vesti-me, fechei a mala e sai tranquilo, como para qualquer volta na serra. Só que desta vez estou em Paris, prestes a começar uma aventura de mais de 2000 km.

Depois das voltas para encontrar uma velib para a Marta, lá saímos em direcção à Madeleine. Ainda nem tinha começado a viagem e já tinha apanhado o primeiro susto: deixei a carteira no balcão do banco e só dei por isso quando quis meter o recibo do SIM na carteira, uns 10min depois.

Voltamos apressadamente ao banco e a minha paz de espírito reestabelece-se. Hora de seguir para o Trocadéro, em frente à torre Eiffel, o ponto de partida que escolhi.

Entretanto chega o Manuel Lima, que veio directo di trabalho dar-me um abraço e desejar boa sorte. Gostei bastante que o Manel tivesse aparecido, num momento destes duas caras amigas são sempre melhores e é sempre um bom empurrão para a partida.

Hoje por duas vezes tive um arrepio, daqueles de deixar todos os pêlos em pé. Um misto de prazer, antecipação e dúvida. O primeiro, logo de manhã à saída da casa da Marta, o segundo já na primeira grande estrada à saída de Paris.

Passei uns dias incríveis em Paris e o fim da tarde de ontem à beira do Sena a beber uma cerveja com amigos foi mesmo o plano mais relaxante para o momento.

Isto de abancar em casa da Marta está a tornar-se um hábito. Primeiro em Lisboa, agora 5 dias em Paris. A Marta, como sempre atura-me e ainda me alimenta. Esta é uma das vantagens de ter bons amigos, não só nos acolhem naturalmente, como não existe uma “balança de hospitalidade”, estão sempre lá para nós.

Enfim, partida às 12h do Trocadéro e o percurso para Montparnasse levou-me por quase todos os pontos emblemáticos de Paris (estou curioso para ver o vídeo).

Fiquei bastante satisfeito com a navegação, não me perdi. A saída de Paris pelo Coulée Vert está muito bem indicada e o percurso é incrível, sempre por parques verdejantes. Parei em Massy para almoçar e depois fiz-me à estrada, parando aqui e ali em pontos que me pareciam interessantes. O caminho fez-se bem, mas a subida para Gometz-la-Ville custou…

A dinâmica da bicicleta carregada é completamente diferente e nota-se principalmente nas subidas. Estou contente por ter apostado nos travões hidráulicos e no lockout da suspensão, já foram bastante úteis hoje. A maior parte do caminho fez-se entre campos verdes e amarelos, resplandecentes da primavera.

Estou a escrever estas palavras num banco de jardim a frente da igreja de Étampes, enquanto faço tempo para ir conhecer os meus anfitriões desta noite. Apesar de concordar totalmente com a ideia do couchsurfing e do warmshowers, nunca se proporcionou experimentar e estou bastante curioso.

À partida, quem integra estas comunidades tem uma mente aberta e espírito aventureiro e espero poder contribuir para esse espírito com a minha aventura!

 

[English and photos tomorrow]

Anúncios

La vie à Paris

Cheguei a Paris anteontem e não tenho parado.

Logo no primeiro dia, andei armado em turista com a Marta e a comer a comida toda dela. Fomos à Saint Chapelle e passear um bocadinho no Louvre. A Mona Lisa está no mesmo sítio mas desta vez tinha menos chineses.

Depois fomos comprar a bicicleta e acessórios e pedalámos até à Torre Eiffel e depois até casa. Até agora impecável, vamos ver como aguento com os alforges atrás.

Ontem foi dia de ir a Versailles e à noite de saltar para uma velib e ir jantar com amigos 🙂

O esquema de bikes em Paris é o Texas. Há ciclovias e semáforos para as bicicletas, mas estes são meramente indicativos e frequentemente vêm-se motas na ciclovia, camiões a descarregar coisas na ciclovia e outras habilidades. No entanto as coisas funcionam e as bicicletas estão muito bem integradas na cidade e os carros nunca apitam! (Deviam levar uns quantos destes condutores para Lisboa para ensinar a malta).

Hoje foi dia de ir apoiar a malta da esgrima na Taça do Mundo de espada. Dia difícil e uma prova com um nível muito elevado, mas todos se esforçaram e deram o melhor de si. Amanhã há mais no Stade Pierre Coubertin (quem quiser acompanhar online aqui).

Deixo-vos com umas imagens destes dois dias!

DSC_0079

Na Torre Eiffel, ponto de partida de amanhã

– – [EN Version]

I arrived in Paris two days ago and I still didn’t stop.

In the first day, I ate all of Mart’as food and then when visiting the Saint Chapelle and the Louvre. Mona Lisa is still in the same place, but less asians around it this time.

After this we went to get the bike and pedalled to the Eiffel Tower and then home. So far so good, let’s see how I manage with the panniers in the back.

Yesterday I spent the whole day in Versailles and at night I hoped in a velib and went for dinner with an old friend 🙂

Biking in Paris is a sort of organized chaos. There are bike paths and bike semaphors, but they are mere indications. More often than not you see motorbikes on the bike paths or trucks unloading stuff onto the path. However it all works and the bikes are seamlessly integrated in the city and the cars never honk! (they should bring these drivers to Lisbon to teach the local ones…)

Today I went to support the Portuguese delegation at the Epée World Cup. It was a difficult day with a very high level and they all played hard and to the best of their habilities. Tomorrow there is more at Stade Pierre Coubertin (you can follow online here).

I leave you with some pictures of the past days!

Miguel

Para o infinito e mais para o ar!

Amanhã às 6.25 parto para Paris e na próxima segunda começo uma aventura diferente de tudo o resto que já fiz até hoje.

Durante a semana passada já passei por um vasto leque de emoções, desde o porque raio é que vou fazer isto até ao isto é a melhor ideia de sempre e hoje quando acordei estava calmo. Quase apático. Como se tivesse interiorizado que esta aventura é uma necessidade e uma coisa tão normal como acordar de manhã e ir para a universidade.

Ontem decidi ir fazer trilhos na serra e pela primeira vez na vida cai numa descida (ao pé da barragem do rio da mula, para quem conhece), resultando numa bela esfoladela de todo o lado direito, em especial do braço. (Quando disse que acordei quase apático é verdade, mas a apatia degenerou quando decidi espetar halibut em cima da ferida aberta e isto me ardeu durante umas belas horas – boa Miguel).

Apesar disto tudo pronto para amanhã com entusiasmo! (e esperemos com energia depois deste voo de madrugada).

Ainda não parti e já são necessários alguns agradecimentos a quem me tem suportado na preparação desta aventura:

À minha família, que me suporta sempre e apesar de estarem super preocupados (especialmente com a parte do couchsurfing);

Ao meu Pai que mais uma vez vai madrugar e deixar-me no aeroporto às 5 da manhã;

À minha Mãe que me encorajou para fazer isto apesar de não estar nada descansada (não sei como consegue…);

Aos meus amigos Miguel Mendes (és um pão por organizar isto), Gonçalo, Mariana, Santos, Marta Verdugo, Sofia, Rodrigo, Filipa, Chico Frito, Souto, JP, Edu e André por se terem juntado e contribuído para a aquisição de uns pedais, porta-bagagens e saco para o guiador para este viagem;

Marta Luís, que anda a receber encomendas e mapas e ainda me vai aturar 5 dias e pedalar os primeiros km comigo;

Mariana Prieto pelas feiras da bagageira que bastante contribuíram para o budget desta viagem, e Karolina pela ajuda com planos de treino, zonas cardíacas e o sensor;

A malta da esgrima pelo encorajamento e suporte: Manel Lima, pela ajuda preciosa na procura da bicicleta e da logística de juntar o material em Paris, Pedro Arede e João Cordeiro por me levarem o equipamento que não posso levar;

Morna e Lino, amigos de longa data e que, como parte da SystemsGroup (http://www.systems-group.org/ ) trataram da aquisição do domínio e do alojamento do site no www.anengineeronabike.com!

 

Malas feitas, tudo pronto, agora é dormir umas horinhas e amanhã partir pronto para fazer o máximo desta aventura!

 

Pedindo emprestada a frase do meu amigo Nuno Frazão:

 

Em Guarda. Prontos? Pedalar!

 

Vemo-nos na estrada!

Miguel Dias

 

(tomorrow I’ll translate when I get bored at the airport)

 

 

Progresso do treino!

Na semana passada tive uma conversa bastante interessante com uma colega treinadora do Clube Naval. Ela tirou desporto e durante algum tempo seguiu e planeou os treinos de atletas olímpicos de triatlo na Polónia.

O resumo de uma palestra bastante interessante sobre o treino para desportos de resistência foi o seguinte:

Como vou percorrer bastantes kilómetros em dias consecutivos tenho de controlar não a velocidade nem os kilómetros percorridos mas o ritmo cardíaco e a cadência. Teoricamente existem 5 níveis de esforço cardíaco e cada um tem associado um tempo de recuperação associado. Estar vivo (que é o contrário de estar morto) e pouco esforço físico implica imediatamente o nível 1, sendo que o esforço que podemos manter neste nível só é limitado pelas horas de sono.

No nível dois, conseguimos aguentar esforço físico até 12h, sendo este o nível que devo tentar manter. À medida que o nível de esforço vai subindo, o tempo durante o qual conseguimos manter esse nível diminui e o tempo de recuperação do esforço aumenta, podendo chegar a 3 dias no nível 5.

(Espero não estar a dizer nenhum disparate até agora, malta de desporto casquem em mim se estiver mal).

Tudo isto é bastante interessante e faz sentido, mas a aplicação disto ao treino é o mais interessante. Normalmente, quando vou sozinho faço percursos curtos e em esforço (estou sempre atrasado para o comboio) e mesmo quando vou sozinho para percursos mais longos vou sempre a tentar bater os meus records. Como já conheço bem as voltas típicas sei exactamente onde acaba o meu percurso e puxo ao máximo até à “meta” (o strava é tramado… se não vem mais ninguém compito comigo mesmo).

 

Agora para este esforço a mentalidade do treino e da actividade muda completamente e tenho de manter um ritmo cardíaco baixo, bem como manter-me hidratado e comer para evitar “bonking ” ( desculpem não sei o termo em português) os primeiros dias.

Nas minhas últimas voltas tenho vindo a aplicar este princípio de gestão do esforço cardíaco e tenho chegado a casa sem muitas dores nas pernas e em boa condição física. O que achei mais espantoso no meio de isto tudo é que em gestão do esforço cardíaco e não em “velocidade”, no final o tempo é bastante parecido ao que estava habituado a fazer, mas o esforço muito menor.  Por exemplo, o meu melhor tempo desde a porta de minha casa ao Cabo da Roca são 59min e hoje demorei 1h10min, o que equivale a cerca de 16% mais em tempo mas muito menos em esforço. Quando vou em “sprint” ao Cabo, normalmente volto imediatamente para casa e custa. Hoje, depois do cabo desci para Colares e subi para Sintra pela Eugaria (subida mazinha com uma inclinação média de 15% e máxima de 22% em 900m) cruzei a vila e depois pelo Linhó até Cascais e as pernas estavam bem.

Com esta conversa toda deixo-vos o registo do Strava 🙂

 

Vemo-nos na estrada!

(E amanhã traduzo isto que tenho pelo menos uns 60km pela frente)

https://www.strava.com/activities/968886292/embed/e5cd16c627aeeb526906227713f7e60d78e75013